A farsa da “Times Square paulistana” de Tarcísio e Nunes: 4 telões e estrutura simples

Tarcísio revela a “Times Square paulistana” criada com inteligência artificial

Apresentado como a “Times Square paulistana”, o projeto do Boulevard São João, defendido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB), é mais uma tentativa de beneficiar a especulação imobiliária.

O “complexo” contempla a instalação de quatro painéis de LED no coração de São Paulo em troca de intervenções urbanísticas que somam cerca de R$ 6 milhões.

“É necessário que o estado e a cidade mais prósperos do Brasil aceitem essa contrapartida em troca de publicidade de BETs no centro? Se Tarcísio e Nunes fossem tão competentes nos negócios como afirmam, deveriam ter proposto algo muito mais significativo”, comentou o vereador Nabil Bonduki (PT) no X.

O projeto ganhou destaque após a divulgação de vídeos com imagens criadas por inteligência artificial que prometiam uma transformação espetacular da área, mas a proposta aprovada é decepcionante. Reportagens elogiosas na mídia contribuíram para a ilusão de que algo grandioso estava por vir.

Na prática, o plano permite a instalação de telões em quatro edifícios — Cine Paris República, Edifício Herculano de Almeida, Galeria Sampa e Edifício New York — além de projeções em um quinto imóvel.

As contrapartidas incluem a preservação de locais como a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos, a estátua da Mãe Preta e o Relógio de Nichile, além de “intervenções” no trecho da Avenida São João.

A proposta também inclui a instalação de mobiliário urbano: 73 bancos de madeira tropical certificada, em diversos modelos, e 30 lixeiras com estrutura metálica e capacidade aproximada de 45 litros.

O projeto abrange ainda ações de paisagismo, focando na arborização urbana, e oficinas de conservação do patrimônio cultural, em uma área de cerca de 30 mil metros quadrados entre o Largo do Paissandu e a Praça Júlio de Mesquita. Em contrapartida, a empresa envolvida poderá explorar publicidade nos telões, com limite de 30% do tempo de exibição, conforme as diretrizes da Lei Cidade Limpa.

O telão da “Times Square paulistana” na prática

A participação do governo, segundo Tarcísio, será voltada para a segurança, com “reforço policial” na área. Talvez em colaboração com o PCC.

Além das discrepâncias entre o material divulgado e o que foi aprovado, o modelo escolhido é arcaico. A verdadeira Times Square, em Nova York, se tornou uma área problemática.

No passado, era uma região degradada nas décadas de 60 e 70, marcada por criminalidade e prostituição, até passar por uma reestruturação nos anos 1990, com políticas de segurança e fechamento de empreendimentos ilegais. Foi o auge da “teoria da janela quebrada”, promovida pelo prefeito Rudy Giuliani — sim, aquele que se tornaria advogado de Donald Trump.

Nos anos 2000, a área foi revitalizada com incentivos a grandes redes comerciais, um processo que ficou conhecido como “disneyficação”. Após a pandemia, a situação piorou. De acordo com o ex-comissário de polícia de Nova York, Raymond Kelly, muitas coisas mudaram para pior na região, com aumento de problemas de segurança e desordem urbana.

A ideia de replicar esse modelo urbano atualmente é deslocada no tempo e apenas contribuirá para deteriorar ainda mais o centro da cidade, entregando-o às mesmas construtoras que estão alterando bairros históricos. São Paulo não merece essa dupla.

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