Em comunicado, a Whirlpool S.A., dona de marcas como Brastemp, Consul e KitchenAid, anunciou nesta semana que irá transferir a produção da fábrica de Pilar, na Argentina, para o Brasil, mais especificamente para a cidade de Rio Claro, no interior paulista, onde já possui uma planta fabril.
A situação reflete o péssimo momento pelo qual passa a Argentina sob o governo do presidente argentino, Javier Milei. Nos últimos meses, nem mesmo a narrativa criada de recuperação econômica tem se sustentado. A inflação em março acelerou 3,4%. Em 12 meses, está em 32,6%. Para piorar, a atividade econômica recuou 2,1% no resultado de fevereiro na comparação anual. A situação também é grave na indústria, com queda de 8,7% em fevereiro.
Este cenário é reflexo das escolhas de Milei, que passam pela desregulação da economia, o desmonte do Estado e a dependência e subordinação aos Estados Unidos, entre outros aspectos de seu choque liberal.
As péssimas escolhas e resultados econômicos têm levado as empresas do país à falência. Estimativas dão conta de que 22 mil empresas foram fechadas durante a gestão Milei (iniciada em dezembro de 2023), conforme dados da Superintendência de Riscos do Trabalho. O número surpreende e supera os fechamentos vistos na pandemia de covid-19, quando 19 mil empresas foram encerradas na Argentina.
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Nesse aspecto, a saída de multinacionais somente referenda este caos. A Whirlpool se soma a outras empresas que já saíram do país ou venderam operações nos últimos dois anos, como Telefónica, ExxonMobil, Mercedes-Benz, Clorox, P&G, Alsea e HSBC. O Burger King/Alsea está em busca de compradores para operar a marca, já o Carrefour desistiu de tentar vender suas lojas, pois não houve propostas que atendessem aos valores mínimos esperados.
Assim, este cenário calamitoso já se reflete diretamente na população: o desemprego alcança 7,5%, enquanto a informalidade chega a 43%. Além disso, a mídia argentina tem relatado que muitas pessoas estão apelando para o consumo de carne de burro em substituição à carne bovina, que aumentou 63,2% em 12 meses na Grande Buenos Aires, segundo o Indec (Instituto Nacional de Estatística e Censo).
Saída da Whirlpool
A empresa de eletrodomésticos irá fechar a fábrica de Pilar para transferir a produção de máquinas de lavar de carga frontal (front-loading) para Rio Claro (SP), que também permanece com a fabricação de máquinas de carga superior (top-loading).
Não foi especificado quantos empregos serão gerados em São Paulo. No entanto, a empresa informou que a unidade paulista será a mais avançada da América Latina, com inteligência artificial e robótica de ponta.
A justificativa para a mudança é melhorar a eficiência operacional e otimizar recursos. A empresa salienta que mantém o compromisso em continuar o fornecimento e o atendimento aos clientes argentinos.
Confira o comunicado da Whirlpool na íntegra:
São Paulo, abril de 2026 – A Whirlpool S.A. confirma a transferência da produção anteriormente realizada em Pilar, na Argentina, para sua unidade de manufatura em Rio Claro, no Brasil. Esta transição visa melhorar a eficiência operacional e otimizar recursos, consolidando a posição da Whirlpool como líder no setor ao integrar excelência fabril e inovação centrada no consumidor para impulsionar o crescimento sustentável.
Compromisso com a Argentina
Esta decisão não altera o compromisso da empresa em continuar o fornecimento e o atendimento ao cliente na Argentina. O mercado continuará a ser atendido por produtos fabricados nas diversas unidades globais do grupo e distribuídos pela Whirlpool AR.
Rio Claro como hub mundial
Ao unificar a produção de máquinas de lavar de carga superior (top-loading) e carga frontal (front-loading) em Rio Claro, a Whirlpool está criando um hub de exportação de classe mundial, pronto para fornecer produtos de lavanderia premium para toda a América Latina. Consequentemente, Rio Claro se tornará oficialmente a unidade de manufatura mais avançada da região, utilizando Inteligência Artificial e robótica para dominar as mais altas complexidades da produção de lavanderia.