Apoiadores de Netanyahu tentam invadir Suprema Corte de Israel

Apoiadores de Netanyahu durante tentativa de invasão da Suprema Corte de Israel, nesta quinta (23). Foto: Yonatan Sindel/Flash90

Apoiadores do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, protagonizaram cenas de desordem e intimidação nesta quinta-feira (23) ao tentarem invadir a Suprema Corte de Israel, durante uma audiência que discutia a criação de uma comissão estatal para investigar o ataque de 7 de outubro de 2023.

O episódio, marcado por gritos, ameaças e tentativa de arrombamento, interrompeu a sessão judicial e obrigou juízes a deixarem o plenário sob escolta. A audiência ficou suspensa por cerca de 20 minutos após a segurança alertar para risco à integridade dos magistrados.

Do lado de fora, uma multidão pró-governo cercou o prédio e passou a exigir acesso à audiência, entoando palavras de ordem contra o Judiciário, como “julguem os juízes”, além de insultos ao presidente da corte.

Tentativa de invasão e caos deliberado

A escalada começou quando uma mulher tentou forçar a entrada no tribunal. Mesmo após ser retirada, ela conseguiu atravessar uma segunda barreira de segurança, evidenciando falhas provocadas pela pressão do grupo.

Em seguida, manifestantes intensificaram a confusão, sacudindo portas e tentando romper o bloqueio imposto pelos seguranças. O cenário foi de tumulto generalizado — exatamente o tipo de situação que a corte tentou evitar ao proibir a presença do público na sessão.

Pressão para barrar investigação

A audiência tratava de pedidos para a criação de uma comissão independente sobre o ataque liderado pelo Hamas, que deixou cerca de 1.200 mortos e 251 sequestrados. Até hoje, o governo se recusa a instaurar uma investigação formal.

A resistência de Netanyahu está diretamente ligada ao risco de responsabilização política pelo colapso de segurança que permitiu o ataque.

Dentro da corte, juízes fizeram críticas duras à inação do governo. O vice-presidente do tribunal, Noam Sohlberg, questionou se a omissão não configura uma situação “extrema”, passível de intervenção judicial.

A juíza Yael Wilner reagiu com espanto à alegação do governo de que qualquer investigação deveria esperar o fim das guerras em curso, classificando a posição como absurda.

Estratégia de desgaste institucional

A tentativa de invasão foi amplamente condenada por líderes da oposição, que atribuíram o episódio ao clima de incitação promovido pelo governo contra o Judiciário.

Nos últimos meses, aliados de Netanyahu vêm intensificando ataques à Suprema Corte, questionando sua legitimidade e tentando enfraquecer sua autoridade — uma estratégia vista por analistas como parte de um movimento mais amplo de erosão institucional.

O próprio governo alega, sem apresentar provas em tribunal, que uma eventual comissão seria “tendenciosa” por causa do presidente da corte, Isaac Amit.

País dividido e instituições sob pressão

O confronto não se limitou aos apoiadores do governo. Familiares de vítimas do ataque de 7 de outubro — divididos politicamente — trocaram acusações do lado de fora do tribunal.

Enquanto aliados de Netanyahu acusam adversários de tentar “encobrir” responsabilidades, críticos afirmam que o governo tenta justamente evitar qualquer apuração independente.

Apesar das críticas contundentes, os juízes sinalizaram cautela diante da proximidade das eleições, levantando dúvidas sobre o impacto de uma decisão judicial nesse momento.

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