
Apoiadores do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, protagonizaram cenas de desordem e intimidação nesta quinta-feira (23) ao tentarem invadir a Suprema Corte de Israel, durante uma audiência que discutia a criação de uma comissão estatal para investigar o ataque de 7 de outubro de 2023.
O episódio, marcado por gritos, ameaças e tentativa de arrombamento, interrompeu a sessão judicial e obrigou juízes a deixarem o plenário sob escolta. A audiência ficou suspensa por cerca de 20 minutos após a segurança alertar para risco à integridade dos magistrados.
Do lado de fora, uma multidão pró-governo cercou o prédio e passou a exigir acesso à audiência, entoando palavras de ordem contra o Judiciário, como “julguem os juízes”, além de insultos ao presidente da corte.
🇮🇱 Riots at Israeli Supreme Court Over October 7 Inquiry
Right-wing protesters tried to BREAK INTO the Israeli Supreme Court today during a hearing on whether to force a state commission of inquiry into October 7.
Justices were evacuated for 30 minutes. A Likud MP was thrown… pic.twitter.com/953gBdsteY
— Ryan Rozbiani (@RyanRozbiani) April 23, 2026
Tentativa de invasão e caos deliberado
A escalada começou quando uma mulher tentou forçar a entrada no tribunal. Mesmo após ser retirada, ela conseguiu atravessar uma segunda barreira de segurança, evidenciando falhas provocadas pela pressão do grupo.
Em seguida, manifestantes intensificaram a confusão, sacudindo portas e tentando romper o bloqueio imposto pelos seguranças. O cenário foi de tumulto generalizado — exatamente o tipo de situação que a corte tentou evitar ao proibir a presença do público na sessão.
Havoc in the Israeli Supreme Court.
Families of October 7 victims attempted to breach the courtroom, but security stopped them.
Protesters are demanding an independent commission to investigate the IDF's failures in the hostage rescue. pic.twitter.com/LmCHzVJ8lZ
— Chay Bowes (@BowesChay) April 23, 2026
Pressão para barrar investigação
A audiência tratava de pedidos para a criação de uma comissão independente sobre o ataque liderado pelo Hamas, que deixou cerca de 1.200 mortos e 251 sequestrados. Até hoje, o governo se recusa a instaurar uma investigação formal.
A resistência de Netanyahu está diretamente ligada ao risco de responsabilização política pelo colapso de segurança que permitiu o ataque.
Dentro da corte, juízes fizeram críticas duras à inação do governo. O vice-presidente do tribunal, Noam Sohlberg, questionou se a omissão não configura uma situação “extrema”, passível de intervenção judicial.
A juíza Yael Wilner reagiu com espanto à alegação do governo de que qualquer investigação deveria esperar o fim das guerras em curso, classificando a posição como absurda.
⚡️🇮🇱 Ynet: Israel’s Supreme Court held a dramatic hearing today on petitions to force the government to establish a state commission of inquiry into the October 7 failures.
Israeli Supreme Court Justice Yael Wilner told the government’s representative, Michael Ravallo: “You… pic.twitter.com/DDe47p3Piz
— War Monitor (@monitor11616) April 23, 2026
Estratégia de desgaste institucional
A tentativa de invasão foi amplamente condenada por líderes da oposição, que atribuíram o episódio ao clima de incitação promovido pelo governo contra o Judiciário.
Nos últimos meses, aliados de Netanyahu vêm intensificando ataques à Suprema Corte, questionando sua legitimidade e tentando enfraquecer sua autoridade — uma estratégia vista por analistas como parte de um movimento mais amplo de erosão institucional.
O próprio governo alega, sem apresentar provas em tribunal, que uma eventual comissão seria “tendenciosa” por causa do presidente da corte, Isaac Amit.
דרמה בבגץ: משמר בתי המשפט הורו לשופטים להתפנות מייד ללשכות כיוון שאזרחים מנסים לפרוץ לאולם pic.twitter.com/9iIqFcD4wa
— aviad glickman (@aviadglickman) April 23, 2026
País dividido e instituições sob pressão
O confronto não se limitou aos apoiadores do governo. Familiares de vítimas do ataque de 7 de outubro — divididos politicamente — trocaram acusações do lado de fora do tribunal.
Enquanto aliados de Netanyahu acusam adversários de tentar “encobrir” responsabilidades, críticos afirmam que o governo tenta justamente evitar qualquer apuração independente.
Apesar das críticas contundentes, os juízes sinalizaram cautela diante da proximidade das eleições, levantando dúvidas sobre o impacto de uma decisão judicial nesse momento.