O que fizerem conosco, faremos com eles, diz Lula sobre reciprocidade com EUA

Em ato de reciprocidade, um agente de imigração estadunidense que atuava em Brasília teve suas credenciais diplomáticas retiradas nesta quarta-feira (22). A medida foi uma resposta à saída dos EUA do delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho, determinada pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do país.

A determinação foi anunciada pelo diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Em entrevista à GloboNews, ele explicou: “eu retirei, com pesar, as credenciais de um servidor dos EUA pelo princípio da reciprocidade”.

A retirada das credenciais significa que o agente perde acesso à unidade em que trabalhava e às bases de dados usadas para as cooperações entre as polícias dos EUA e do Brasil — o equivalente ao que ocorreu com Carvalho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva parabenizou Rodrigues pela medida e declarou: “o que eles fizerem conosco, a gente vai fazer com eles, esperando que eles estejam dispostos a voltar a conversar e as coisas voltarem à normalidade”, disse Lula nesta quarta-feira (22).

Saiba mais: Lula defende reciprocidade em caso de “abuso americano” contra delegado da PF

A posição adotada pelo Brasil leva em conta a autonomia e a igualdade de direitos e deveres no âmbito da política adotada em relação a outros países, representando uma sinalização de altivez frente às imposições do governo de Donald Trump, vistas como atos político-ideológicos.

A medida é um desdobramento do caso envolvendo a prisão do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) em Orlando, na Flórida, na semana passada. A operação que possibilitou a detenção do golpista foragido teve a participação do delegado Marcelo Ivo de Carvalho.

Ao justificar a decisão de pedir a saída do agente brasileiro, o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental dos EUA argumentou que “nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos”.

Na mesma entrevista citada, Andrei Rodrigues explicou que “não há a menor sombra de dúvida de que essa participação da PF é alicerçada na cooperação internacional, nos acordos que temos com os Estados Unidos. São mais de uma dezena de acordos que permitem a atuação dos nossos policiais no exterior”.

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