
Por Lays Furtado
Da Página do MST
Ogum é um dos Orixás mais reverenciados na cultura afro-brasileira, e seu nome, que vem da língua yorubá, significa “Guerra”. Essa divindade simboliza um guerreiro que abre caminhos, é vitorioso em batalhas e possui domínio sobre a metalurgia, sendo o criador de várias ferramentas que permitiram o progresso humano na terra, desde facões até foices, e também ferramentas para a caça, agricultura e tecnologia – além de ser sincretizado com São Jorge, ambos celebrados em abril.
Para homenagear esse importante guardião da cultura afro-brasileira e africana, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) organizará a Feijoada de Ogum no dia 25 de abril, começando às 9h30, no Espaço Cultural Elza Soares, situado na Alameda Eduardo Prado, 474, Campos Elíseos, São Paulo.
A entrada será gratuita e o evento começará com um Xirê, um ritual tradicional nos terreiros de Candomblé, onde se canta e dança para os Orixás. Após essa abertura e uma mística, haverá uma mesa de debates com a participação de lideranças de terreiros e do MST, e a partir das 12h, será feita a distribuição da feijoada, limitada a 500 porções. Além da feijoada gratuita, haverá a venda de outros pratos e bebidas no local, incluindo opções veganas; à tarde, haverá programação cultural.
Essa atividade é resultado do cultivo agroecológico do feijão preto realizado em setembro de 2025 pelos Povos de Terreiro do MST, uma iniciativa do Coletivo Étnico-Racial Terra, Raça e Classe, em parceria com a militância do Centro Agroecológico Paulo Kageyama, em Jarinu (SP), unindo a produção de alimentos saudáveis com a valorização das tradições religiosas e culturais afro-brasileiras, além de promover a solidariedade.

“O cultivo do feijão preto para Ogun é um ato de resistência, carregando um significado cultural e espiritual profundo, além de reafirmar a Agroecologia como nossa ligação com os saberes ancestrais e a prática de produzir alimentos saudáveis a partir de uma relação diferente com a terra. Vendo-a como fonte de vida, aliada e não apenas como um recurso para especulação e lucro. Esse plantio foi mais do que obter um grão, foi uma prática de emancipação humana em suas diversas dimensões”, ressaltou Kallen Oliveira, da coordenação do Plantar Árvores Produzir Alimentos Saudáveis do MST.
A feijoada de Ogum é um ritual sagrado de origem africana, que surgiu no início do século XX no Ilê Ogogunjá, na Bahia, iniciado pelo babalorixá Procópio de Ogum. O prato é feito com feijão preto e várias carnes de porco, servindo para agradecer e solicitar bênçãos, simbolizando prosperidade e partilha. A tradição começou após Ogum exigir, por meio do oráculo de Ifá, que o babalorixá oferecesse alimento a todos, sem negar nada a ninguém, especialmente aos que mais precisam.
Para Sebastião Aranha, assentado da Reforma Agrária em Itapeva (SP) e membro dos Povos de Terreiro do MST, “a feijoada que estamos organizando, a feijoada de Ogun, é uma tradição muito significativa para nós que pertencemos às religiões afro-brasileiras, como o candomblé, a Umbanda e outras de matriz africana. E é fundamental também para demonstrar que dentro do MST existe diversidade religiosa, e que estamos aqui cuidando do nosso território e da nossa espiritualidade.”
*Editado por Fernanda Alcântara