Desvendando o “princípio da reciprocidade” aplicado pela PF nos EUA no caso Ramagem

Andrei Rodrigues, chefe da PF. Foto: Brenno Carvalho/Agência O Globo

Andrei Rodrigues, o diretor-geral da Polícia Federal, anunciou nesta quarta-feira (22) que optou por revogar as credenciais de trabalho de um agente norte-americano, com base no princípio da reciprocidade. Essa ação ocorre após o delegado brasileiro Marcelo Ivo de Carvalho ter recebido uma ordem para deixar os Estados Unidos. Essa decisão intensifica as tensões diplomáticas entre Brasil e Estados Unidos e é vista como uma resposta proporcional ao tratamento recebido pelo representante da PF no território estadunidense.

Durante uma entrevista à GloboNews, Andrei esclareceu que não houve expulsão de Marcelo Ivo e detalhou os motivos para a ação adotada pela corporação. “Retirei, com tristeza, as credenciais de um servidor dos EUA em respeito ao princípio da reciprocidade”, afirmou.

O princípio mencionado pelo diretor da PF é uma prática comum nas relações internacionais e sugere que um Estado deve responder a outro de maneira semelhante ao tratamento que recebeu.

Na prática, o princípio da reciprocidade atua como um mecanismo de equivalência entre nações, podendo ser aplicado em diversas áreas, como vistos, credenciais, períodos de permanência e restrições de entrada.

A professora Ana Carolina Marson, da Escola de Sociologia e Política de São Paulo, resumiu o conceito da seguinte maneira: “Esse princípio permite que você devolva o que foi aplicado a você. Ele pode ser utilizado em várias áreas das relações internacionais”.

O delegado Marcelo Ivo de Carvalho. Foto: reprodução

Essa não é a primeira vez que o governo brasileiro toma uma medida desse tipo em um episódio recente envolvendo os Estados Unidos. Em março de 2026, o Itamaraty cancelou o visto de Darren Beattie, assessor do ex-presidente Donald Trump, alegando também o princípio da reciprocidade.

Naquela ocasião, Beattie tinha planos de visitar Jair Bolsonaro na Papudinha, mas o governo brasileiro afirmou que ele teria ocultado a verdadeira razão de sua viagem e estava organizando encontros de caráter político.

Antes da declaração oficial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva já havia sinalizado o tom da reação brasileira ao informar que Beattie só poderia entrar no Brasil quando o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, tivesse permissão para entrar nos Estados Unidos. Em 2025, os Estados Unidos anularam os vistos da esposa e da filha de Padilha, enquanto o visto do próprio ministro já havia expirado.

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