Redpill gourmet: o inesperado encontro de Juliano Cazarré que surpreendeu a todos. Por Nathalí

O ator Juliano Cazarré. Foto: Divulgação

Era o que me faltava: Juliano Cazarré — o ator que deixou a esposa em um momento delicado para participar de uma live católica — agora aparece com uma nova ideia, que ele nomeia de “maior encontro de homens do Brasil”.

Ele comentou em seu Instagram que “já foi cancelado diversas vezes por acreditar que homens e mulheres desempenham papéis distintos” — talvez ache que as mulheres devem dar à luz sozinhas enquanto seus parceiros fazem palhaçada na internet.

O evento, que terá a duração de três dias e ocorrerá em São Paulo, possui um título tão ridículo quanto o restante: “O farol e a forja”.

Consigo imaginar ele criando essa ideia e se achando muito esperto.

O rapaz tem um histórico de declarações difíceis de engolir: conservador assumido, já afirmou que “não se desculpará por ser homem” (?) e que organizou o evento porque os homens estão “desorientados” e “as famílias estão se desintegrando”.

Nisso ele não está completamente errado: realmente há uma desorientação, mas, ao invés de confrontar suas masculinidades tóxicas, que causam violência contra mulheres diariamente, preferem escalar montanhas e discutir empreendedorismo.

No Instagram, publicidades de gosto duvidoso, com uma abordagem coach conservadora — um verdadeiro mico — e um monte de discurso redpill: em resumo, ele afirma que “a sociedade está enfraquecendo os homens”.

Meu caro, se você se sente vulnerável, procure um terapeuta e não faça generalizações. Os homens que buscam se libertar do machismo que a cultura patriarcal impõe — e que os beneficia — certamente não se sentem tão fracos quanto você. E você, que adora se exibir com sua masculinidade.

Não é necessário se desculpar por ser homem, mas seria interessante que você se retratasse por aqueles vídeos de gosto duvidoso que costuma compartilhar: ninguém merece.

Não surpreende que tenha sido cancelado várias vezes, mas, desta vez, a situação se complicou: seus colegas da Globo criticaram severamente esse fiasco.

Elisa Lucinda destacou o “atraso” dessa ideia absurda, Bett Gofman questionou a postura em meio a uma epidemia de feminicídios, mas foi Marjorie Estiano que fez a crítica mais incisiva:

“Juliano, você não criou… Você está apenas reproduzindo, em maior ou menor medida, um discurso que já é amplamente conhecido, enraizado e que resulta na morte de mulheres todos os dias. Por favor, reflita sobre isso.”

Exatamente. Não há nada de novo nisso, apenas um oportunista se agarrando a um discurso conservador para tentar lucrar — pela qualidade do material de promoção, parece que não terá sucesso.

Esse tipo de embaraço não surge da força — vem do medo, da impotência.

Medo de perder privilégios, de enfrentar a própria vulnerabilidade, de abrir mão de um modelo de masculinidade que já provou ser violento, limitado e, acima de tudo, ultrapassado.

Enquanto alguns ainda tentam romantizar esse passado, o mundo avança — e não olha para trás.

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