Brasileiros detidos na Flórida por esquema de fraude imigratória que lesou conterrâneos em milhões

Agentes de imigração durante uma detenção. Foto: Charly Triballeau/AFP

Na segunda-feira (20), uma operação nos Estados Unidos resultou na prisão de 14 brasileiros suspeitos de fazer parte de uma rede organizada de fraude migratória, que tinha como foco principal a comunidade brasileira. O grupo, chamado “Legacy Group”, está sendo investigado por crimes como estelionato, extorsão e formação de organização criminosa.

Segundo informações das autoridades do Condado de Orange, na Flórida, entre os detidos estão os suspeitos de liderar a operação: Ronaldo de Campos, Vagner Soares de Almeida, Juliana Colucci e Lucas Trindade Silva. Eles são acusados de liderar uma ação complexa que se aproveitava da vulnerabilidade de imigrantes que buscavam regularização nos EUA.

Além deles, outros dez brasileiros que trabalhavam para o grupo também foram detidos.

As investigações indicam que os envolvidos se faziam passar por advogados de imigração para ganhar a confiança das vítimas. Para atraí-las, ofereciam falsas autorizações de trabalho (“work permits”) e prometiam soluções rápidas e “garantidas” para a regularização migratória, incluindo pedidos de asilo para pessoas que não atendiam aos requisitos legais.

Um dos principais enganos era a promessa de “recolocar o imigrante em status” por meio do asilo, um procedimento que não é previsto na legislação americana. Para conferir uma aparência de legitimidade, o grupo chegou a reproduzir a identidade visual e o logotipo de um advogado conhecido entre os brasileiros.

Lucas Trindade Silva, Juliana Colucci, Ronaldo de Campos e Vagner Soares de Almeida

O esquema teria gerado milhões de dólares ao longo dos anos, tirando proveito do desconhecimento e da angústia de imigrantes em situação irregular.

Especialistas alertam que a apresentação de pedidos de asilo sem fundamento legal pode acarretar sérias consequências, como a recusa do processo, ordens de deportação e até danos permanentes em futuras tentativas de regularização.

Este caso também evidencia o aumento das ações contra fraudes migratórias nos Estados Unidos, especialmente na Flórida, onde as autoridades têm intensificado operações contra redes ilegais que operam há anos.

As autoridades americanas aconselham qualquer pessoa que tenha interagido com o grupo a buscar imediatamente assistência jurídica qualificada. Dependendo da situação, os processos podem ser classificados como fraudulentos ou “frívolos” por órgãos como o U.S. Citizenship and Immigration Services e tribunais de imigração, o que pode agravar ainda mais a situação do imigrante.

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