
Ativistas de extrema-direita nos Estados Unidos têm promovido a ideia de abolir o voto feminino, conforme reportado pela Deutsche Welle. Essa proposta tem circulado em podcasts e redes sociais por parte de apoiadores do ex-presidente Donald Trump, especialmente após uma tendência de voto feminino em candidatos do Partido Democrata.
Nick Fuentes, um influente comentarista de extrema-direita, declarou em um podcast: “Eu retiraria o direito ao voto de diversos grupos, incluindo as mulheres, sem dúvida”. Ele não detalhou quais outras minorias estariam sujeitas a essa retirada de direitos.
Outros, como o perfil “icanexplainmike” no TikTok, consideram a 19ª Emenda da Constituição dos EUA um erro. Essa emenda, ratificada em agosto de 1920, assegurou o direito de voto às mulheres, há mais de um século.
Entre os defensores dessa ideia está o teólogo e pastor Doug Wilson, membro da Comunhão de Igrejas Evangélicas Reformadas, que propõe um sistema de “voto familiar, mas decidido pelo marido”. O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, também apoiou essa perspectiva, compartilhando um post do pastor.
O pastor Dale Patridge, outro aliado de Trump, já argumentou a favor da revogação da 19ª Emenda, afirmando que “as mulheres votam de maneira emocional e a política do país está sendo feminilizada”.
Não são apenas homens que sustentam essa visão na chamada “machosfera”. O jornal americano New York Times reporta que existem mulheres que apoiam o “patriarcado bíblico”, clamando pela revogação da 19ª Emenda e um voto baseado na estrutura familiar.
A comentarista política conservadora Helen Andrews também integra esse movimento e, recentemente, publicou um artigo denunciando a “grande feminização institucional”.
O presidente dos EUA parece estar atento a esse movimento e recentemente apresentou um projeto, que já foi aprovado pela Câmara dos Representantes, criando barreiras para mulheres casadas e pessoas trans. Essa proposta exige que os eleitores comprovem sua cidadania americana no momento da votação, utilizando certidão de nascimento ou passaporte.
O problema reside no fato de que aqueles cujos nomes não correspondem aos documentos apresentados, como mulheres casadas que mudaram de nome, precisarão apresentar registros adicionais, como certidão de casamento ou sentença de divórcio, para justificar a alteração.
A proposta ainda deve ser aprovada pelo Senado, mas pode dificultar a votação de mais de 21 milhões de americanos que não têm acesso imediato a esses documentos.
Cresce número de vozes que defendem o fim do direito ao voto feminino nos EUA.@dw_espanol pic.twitter.com/GExFkHkgp1
— DW Brasil (@dw_brasil) April 22, 2026