
Após a controvérsia gerada pela venda de carne de burro e guanaco, os produtores de Catamarca, na Argentina, estão explorando um novo mercado voltado para o leite de burra. Essa proposta está se consolidando, especialmente entre pequenos e médios agricultores, que buscam diversificar sua produção e comercializar um produto de alto valor agregado.
Rogelio Allignani, um dos produtores de Catamarca, está à frente dessa nova iniciativa, que abrange a comercialização de leite congelado e pasteurizado, além de produtos cosméticos elaborados com leite de burra.
Allignani afirma que o leite de burra possui características extraordinárias, comparando-o ao leite humano por suas propriedades bioestimulantes. Essa associação com a saúde não é nova; segundo ele, Hipócrates já utilizava o leite de burra para tratar problemas no fígado. Na verdade, essa busca por alternativas surge em meio à crise das políticas econômicas de Milei.
Conforme o jornal Página 12, a produção é limitada a aproximadamente um litro de leite por dia por burra, o que eleva o preço do produto a 14 mil pesos por meio litro. A combinação dos altos custos de produção e a complexidade do processo de ordenha resulta em uma oferta restrita.
Apesar dos preços altos, Allignani vê no leite de burra uma solução alimentar para famílias rurais que enfrentam desafios para encontrar produtos de qualidade. Ele ressalta que o leite tem sido uma alternativa para crianças alérgicas à proteína do leite de vaca, sendo uma excelente opção em dietas especiais. A crescente demanda em nichos de mercado e as oportunidades de uso em cosméticos têm incentivado a produção, que atualmente conta com cerca de 30 burras em Catamarca.
O projeto, que inicialmente visava a introdução da carne de burro no mercado, agora se expande com a adição do leite e outras fontes alternativas, como a carne de llama. Allignani acredita que o êxito dessa diversificação pode favorecer principalmente pequenos e médios produtores, que enfrentam dificuldades para se manter competitivos no mercado convencional.
Para Allignani, a produção de leite de burra não é apenas uma inovação comercial, mas também uma forma de trazer benefícios econômicos e sociais para as áreas rurais. “Este é um projeto social relevante, que pode transformar propriedades atualmente não lucrativas em negócios sustentáveis”, afirma. Ele acredita que a adaptação dos burros ao ambiente e a sua baixa exigência em cuidados tornam essa iniciativa uma alternativa viável e promissora para muitos produtores que buscam fugir da produção convencional de carne e leite bovino.