
Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, se manifestou sobre a volta do delegado Marcelo Ivo de Carvalho ao Brasil, após o governo dos Estados Unidos ordenar sua saída, e negou uma expulsão da corporação. Foi ele quem atuou no caso da prisão do ex-deputado bolsonarista Alexandre Ramagem.
“Não há nenhuma expulsão de funcionário brasileiro. Ele voltou por determinação minha, em razão desse episódio, para que consigamos esclarecer se há um processo formal no Departamento de Estado, no próprio ICE… seja onde for”, afirmou Rodrigues ao programa “Estúdio i” da GloboNews.
A declaração foi dada após o governo dos EUA divulgar que Carvalho teria tentado manipular o sistema de imigração do país para realizar “perseguições políticas”. Na segunda (20), o Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo americano divulgou que os EUA ordenaram que um delegado brasileiro deixasse o país.
“Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, diz o texto.
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil confirmou que o delegado brasileiro citado era Marcelo Ivo de Carvalho, que atuava em parceria com o Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE). Ele foi nomeado em março de 2023 para uma missão de dois anos em Miami, com a principal função de identificar e prender foragidos da Justiça brasileira que estivessem no país.

O envolvimento dele no caso de Alexandre Ramagem e sua tentativa de manipular a extradição geraram atritos diplomáticos. Em setembro de 2025, Ramagem deixou o Brasil clandestinamente e viajou para os Estados Unidos, onde tentou buscar asilo.
Ele foi preso em Orlando, Flórida, nas últimas semanas por questões migratórias. Porém, no mesmo dia, foi libertado para aguardar a conclusão do pedido de asilo.
O governo Lula tem considerado uma resposta à liberação do bolsonarista e o presidente, em uma conversa com a imprensa durante sua viagem à Alemanha, comentou o episódio, dizendo que ainda não sabia todos os detalhes, mas indicou que o Brasil poderia adotar o princípio da reciprocidade.
“Se houve um abuso americano com relação ao nosso policial, nós vamos fazer a reciprocidade com o dele no Brasil”, declarou Lula. A medida citada pelo petista é um conceito diplomático que prevê que um país possa adotar medidas equivalentes em resposta às ações de outro.