O Partido da Causa Operária (PCO), a Corrente Sindical Nacional Causa Operária (CSNCO) e os Comitês de Luta estão organizando um ato nacional e autônomo para celebrar o Dia Internacional de Luta dos Trabalhadores. O evento ocorrerá no dia 1º de Maio, às 11 horas, em frente ao Theatro Municipal, no centro de São Paulo, reunindo militantes e apoiadores de todas as partes do Brasil.
A convocação é apresentada como um apelo por um 1º de Maio de luta, sem subordinação aos interesses da burguesia e sem o caráter eleitoral que caracteriza as atividades organizadas tradicionalmente pelas direções sindicais ligadas aos patrões. Segundo os organizadores, o ato se concentrará na defesa das demandas operárias e populares, além de promover a luta anti-imperialista em apoio ao Irã, ao povo palestino, à Venezuela e a Cuba.
Em entrevista ao Diário Causa Operária, Antônio Carlos Silva, coordenador nacional da Corrente Sindical Nacional Causa Operária e pré-candidato à vice-presidência da República na chapa de Rui Costa Pimenta, afirmou que a iniciativa busca reavivar “as melhores tradições do Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora” em um contexto de agravamento da crise capitalista. Ele destacou que a proposta é promover uma manifestação “independente e combativa”, fundamentada no ativismo classista e na mobilização direta dos trabalhadores.
“Nós, do Partido da Causa Operária e da Corrente Sindical Nacional Causa Operária, decidimos, em conjunto com os Comitês de Luta, realizar um ato de 1º de Maio que seja independente e combativo, visando resgatar as melhores tradições do Dia Internacional de Luta da Classe Trabalhadora em um momento de crise profunda do capitalismo, onde se tenta descarregar o peso da situação nas costas dos trabalhadores.”
Antônio Carlos destacou que, diante da conjuntura internacional, a manifestação levantará como um de seus pontos centrais a solidariedade aos povos que enfrentam o imperialismo. Ele argumentou que o 1º de Maio deve refletir o apoio das organizações operárias à luta desses povos e, simultaneamente, apresentar demandas concretas dos trabalhadores brasileiros, tanto da cidade quanto do campo.
Entre as reivindicações, o líder ressaltou a necessidade de reposição das perdas salariais, a elevação real do salário mínimo e a urgência de uma política que enfrente a deterioração das condições de vida da maioria da população. Ele observou que o endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis alarmantes e afirmou que a política reformista dos últimos anos não foi capaz de conter a ofensiva da burguesia contra a classe trabalhadora.
“Vamos levantar a questão essencial da luta pela reposição das perdas salariais, especialmente quando mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas. É evidente que a política reformista resultou em um retrocesso e não conseguiu barrar a ofensiva imposta pela burguesia à classe trabalhadora, que se intensificou com o golpe de Estado e a retirada de direitos.”
Na mesma linha, Antônio Carlos afirmou que o ato defenderá um aumento real do salário mínimo. Segundo ele, essa reivindicação foi negligenciada pelas direções conciliadoras, embora o próprio DIEESE indique que, para suprir as necessidades básicas dos trabalhadores, o salário mínimo deveria ser de pelo menos R$7.500,00.
Outro aspecto mencionado por ele é a reforma agrária, entendida como a expropriação do latifúndio. O coordenador da CSNCO disse que a situação no campo evidencia a necessidade de retomar essa bandeira central na luta operária e popular. Ao discutir o tema, ele citou a denúncia do MST sobre a redução no número de desapropriações durante o atual mandato presidencial, que ficou abaixo até mesmo do verificado durante o governo Temer.
“Vamos promover um 1º de Maio que defenda a reforma agrária, que significa a expropriação do latifúndio, especialmente quando o MST denuncia que os primeiros três anos do mandato atual do presidente Lula tiveram menos desapropriações de terra para a reforma agrária do que os anos do governo golpista de Temer.”
Antônio Carlos também destacou que a manifestação irá apoiar a liberdade de expressão e a liberdade de organização dos trabalhadores. Ele observou que essas liberdades estão sendo atacadas pelo Judiciário no contexto da crise do regime político brasileiro. Na entrevista ao DCO, o dirigente criticou o uso do 1º de Maio como palanque eleitoral e sustentou que os problemas da classe operária não serão solucionados apenas pelo voto, mas através da organização independente, da mobilização sindical e da luta política dos trabalhadores contra a burguesia e o imperialismo.
Para ele, a data deve resgatar seu caráter histórico de combate. Nesse sentido, ele recordou a realização de um 1º de Maio de rua durante a pandemia, quando o PCO e partes do Bloco Vermelho foram às ruas para clamar pelo “Fora Bolsonaro”, vacina no braço e aumento do salário:
“Portanto, será, antes de tudo, um 1º de Maio de luta, um 1º de Maio combativo, como já realizamos em outros momentos significativos”, concluiu.
O PCO, em colaboração com os Comitês de Luta, está organizando caravanas de todas as regiões do País para levar militantes e apoiadores à manifestação em São Paulo. O objetivo é concentrar no centro da cidade uma mobilização unificada em prol de um programa operário e anti-imperialista.
Após o ato em frente ao Theatro Municipal, a programação continuará às 14 horas, no Centro Cultural Benjamin Péret (CCBP), Rua Conselheiro Crispiniano, 73, onde haverá um churrasco e chope à vontade. O custo do churrasco será de R$60,00, o chope R$50,00 e o combo ficará por R$100,00.
PCO convoca ato classista e anti-imperialista para 1º de Maio