Representação alegava quebra de decoro, mas maioria dos membros reconheceu que o líder do PT foi alvo de ataques ofensivos de Gustavo Gayer
O Conselho de Ética e Decoro Parlamentar decidiu arquivar a representação apresentada pelo Partido Liberal (PL) contra o líder da Bancada do PT, deputado Lindbergh Farias (RJ), que o acusava de quebra de decoro parlamentar. A iniciativa foi tomada após críticas contundentes feitas por Lindbergh ao deputado Gustavo Gayer (PL-GO). As manifestações do petista ocorreram em reação a uma série de ataques promovidos por Gayer nas redes sociais, em março deste ano, contra o próprio Lindbergh, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-RR), e a ministra da Secretaria de Assuntos Institucionais, Gleisi Hoffmann — alvo de ofensas misóginas e machistas.
A escalada das agressões teve início quando Gustavo Gayer publicou no X que o presidente Lula teria “oferecido Gleisi Hoffmann como um cafetão oferece sua funcionária em uma negociação entre gangues”. A frase distorceu uma fala do presidente, que havia dito ter escolhido uma “mulher bonita” para comandar a articulação política do governo no Congresso.
Em outra publicação, Gayer atacou Lindbergh e os presidentes da Câmara e do Senado. “E aí, Lindbergh Farias, vai mesmo aceitar o seu chefe oferecer sua esposa para o Hugo Motta e Alcolumbre como um cafetão oferece uma GP?”, escreveu o deputado, que ainda sugeriu um suposto “trisal” envolvendo a ministra Gleisi, Alcolumbre e o líder petista.
As declarações motivaram uma representação do PT contra Gayer por quebra de decoro, mas o processo foi arquivado no início de outubro, com placar de nove votos favoráveis ao arquivamento, seis contrários e uma abstenção.
Vítima
Ao comentar a tentativa de punição a Lindbergh antes da votação do parecer, a deputada Maria do Rosário (PT-RS) afirmou que o caso representava uma inversão de responsabilidades.
“Todos os fatos indicam que foi justamente o deputado Lindbergh Farias o ofendido nesse caso. É um episódio onde Lindbergh é vítima, assim como foram o presidente da Casa, Hugo Motta, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e a ministra Gleisi Hoffmann. O próprio relator, deputado Fábio Costa (PP-AL), indica a inexistência de justa causa e vota pela inadmissibilidade da representação. Portanto, considero desarrazoado que alguém que sofreu ofensa esteja sendo alvo de processo no Conselho de Ética”, declarou.
A representação contra Lindbergh foi arquivada por ampla maioria: 12 votos favoráveis e apenas um contrário.
Héber Carvalho