A divisão e a soma
por Felipe Bueno
Repetindo uma expressão já usada nesta coluna, no caso Rússia-Ucrânia, bem como em outros aspectos da vida geopolítica atual, a Europa permanece à janela.
Reivindicando relevância mas à sombra dos movimentos de Donald Trump, os principais líderes do continente, por outro lado, bobos não são, e depois de quase quatro anos, sabem que o day after pode ser o início de uma condição não vista desde a Guerra Fria, para não falar nos conflitos prévios dos séculos XIX e XX.
Com uma diferença fundamental: os dois antagonistas do passado recente, Washington e Moscou estão aliando interesses e ações, falando a mesma língua.
Caso a última proposta para encerramento do conflito seja aprovada e se torne realidade, e os territórios invadidos permaneçam sob o guarda-chuva de Moscou, fica consolidada uma posição, já visível no horizonte, de protagonismo militar e político da Rússia frente à Europa Ocidental.
(Ainda que economicamente os quinhentos sejam outros, com ou sem o apoio da China.)
Falando em apoio, na atual (evitemos chamar de nova) configuração geopolítica do mundo, não soa estranho, sendo até previsível, ver Vladimir Putin se sentindo satisfeito e protegido pela liderança dos Estados Unidos, leia-se Donald Trump, nas discussões sobre o fim do conflito.
Estamos no fim de 2025, um novo ano se aproxima – e um novo inverno europeu bate à porta. E Putin é o homem que diz: “Se a Europa quiser guerra, estamos prontos”.
Se o Velho Continente deseja ou não o conflito, nunca saberemos ao certo, mas a preocupação já deixou há tempos o campo das ideias, abrindo espaço para decisões políticas, militares e econômicas reais. Líderes vão ao supermercado geopolítico em busca de gás e energia em um carrinho e armas em outro. As mudanças de prioridades orçamentárias não passam ao largo dos olhares de parlamentares e eleitores, tornando as realidades políticas internas cada vez mais difíceis de administrar, permitindo afirmar que hoje, como não se via faz tempo, a Europa não equivale à soma de seus países.
Felipe Bueno é jornalista desde 1995 com experiência em rádio, TV, jornal, agência de notícias, digital e podcast. Tem graduação em Jornalismo e História, com especializações em Política Contemporânea, Ética na Administração Pública, Introdução ao Orçamento Público, LAI, Marketing Digital, Relações Internacionais e História da Arte.
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