A brasileira Sirlene de Souza Zanotti, 53, foi presa nesta terça-feira (2) pela polícia argentina ao tentar escapar para o Paraguai em um trem na fronteira de Posadas, na província de Misiones. Condenada a 14 anos por participação direta nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, ela é mais uma entre bolsonaristas que tentam, sem sucesso, se esconder além das fronteiras após a ofensiva contra o Estado Democrático de Direito.
Zanotti é a sexta foragida capturada na Argentina desde que o ministro Alexandre de Moraes enviou pedidos de extradição ao governo Javier Milei. Antes dela, outros cinco condenados — com penas entre 13 e 17 anos — foram localizados no país e devem ter o pedido de extradição julgado nesta quarta (3). A repetição do roteiro — fuga, captura e extradição — evidencia um movimento sistemático de tentativa de driblar a Justiça brasileira.
Crimes graves e condenação robusta
A psicóloga foi sentenciada por abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe, deterioração de patrimônio tombado e associação criminosa armada — um conjunto de crimes que demonstra, segundo o STF, o caráter organizado e violento da ação.
Detida ao tentar cruzar discretamente a fronteira, Sirlene agora passará por audiência de custódia para definição de sua manutenção em cárcere e possível transferência para o presídio de Ezeiza, em Buenos Aires.
A narrativa da ‘perseguição’ e a contradição dos fatos
A defesa de Sirlene publicou nota afirmando que ela é vítima de “perseguição política”, argumento já repetido por outros extremistas bolsonaristas que, ao mesmo tempo em que clamam inocência, fogem do país para evitar o cumprimento da lei.
O advogado Hélio Júnior alegou violação de garantias constitucionais e disse que o caso impacta a “imagem do Brasil” — discurso que destoa frontalmente das decisões colegiadas do STF, dos processos públicos e das provas amplamente documentadas.
Covardia e desmoronamento do discurso golpista
A sucessão de capturas na Argentina expõe não apenas o fracasso da estratégia de fuga, mas também a contradição fundamental do bolsonarismo radical: enquanto pregavam “ordem”, “pátria” e “patriotismo”, seus seguidores mais violentos tentam escapar às escondidas para países vizinhos quando confrontados com a responsabilidade pelos atentados contra a democracia.
A captura de Sirlene, como a dos demais, reafirma que a tentativa de golpe de 8/1 não foi um ato espontâneo, mas uma ação organizada cujos participantes agora enfrentam as consequências — ainda que tentem fugir delas pelas fronteiras.
Demais episódios de fuga de condenados pelos atos golpistas de 8/1 para a Argentina
1. Joelton Gusmão de Oliveira
- Condenado por participação nos ataques.
- Foi localizado e preso na Argentina.
- Tentava se manter foragido enquanto tramitava o pedido de extradição.
2. Rodrigo de Freitas Moro Ramalho
- Também condenado por envolvimento nos atos de 8 de janeiro.
- Detido em território argentino após deixar o Brasil para evitar o cumprimento da pena.
3. Joel Borges Correa
- Condenado a pena entre 13 e 17 anos.
- Preso na Argentina depois de tentar permanecer escondido.
4. Wellington Luiz Firmino
- Outro foragido que cruzou a fronteira para escapar da Justiça brasileira.
- Capturado pela polícia argentina.
5. Ana Paula de Souza
- Condenada por participação nos ataques.
- Foi presa na Argentina e aguarda decisão sobre extradição.