Pesquisa revela queda na confiança do Exército após envolvimento com o bolsonarismo

Exército brasileiro. Foto: Divulgação

O Exército Brasileiro realiza anualmente uma pesquisa de opinião pública para medir a percepção da sociedade sobre a instituição. O levantamento segue metodologia semelhante à de institutos de pesquisa, com entrevistas a 2.000 pessoas em quase todos os estados. Com informações da Veja.

As informações servem como base para as estratégias de comunicação interna e refletem o impacto da política nacional na imagem da força. Nos últimos quatro anos, incluindo o fim do governo Jair Bolsonaro e os três primeiros da gestão Lula, os dados revelam mudanças significativas no nível de confiança.

Em novembro de 2022, 32,5% dos entrevistados afirmavam confiar muito no Exército. Esse índice caiu para 26,6% em junho de 2025. Já os que disseram apenas confiar oscilaram de 39,6% para 38,2% no mesmo período. A tendência acompanha números semelhantes da pesquisa Quaest divulgada nesta semana, que apontou queda de 79% para 70% na confiança da população em relação às Forças Armadas.

Entre os eleitores de Lula, a confiança se manteve estável, mas entre bolsonaristas a redução foi mais acentuada: de 91% no fim do governo Bolsonaro para 72% atualmente. A imagem da instituição também foi testada por meio de perguntas espontâneas.

Quando questionados sobre o que poderia prejudicar a reputação do Exército, a maioria apontou a presença de militares em cargos do governo, prática intensificada na gestão Bolsonaro. Em seguida, surgiram respostas relacionadas à corrupção, ao regime militar e a episódios de autoritarismo ou tentativa de golpe, que, mesmo em menor escala, deixaram marcas na percepção popular.

Outra pergunta buscou identificar a primeira associação feita ao se falar em Exército. Termos como segurança, defesa e guerra foram os mais citados, mas novamente apareceram referências negativas. Autoritarismo, golpe de Estado e até mesmo o nome de Bolsonaro foram lembrados pelos entrevistados, sinalizando a contaminação da imagem da instituição pelo envolvimento político.

O ex-presidente Bolsonaro em cerimônia do Dia do Exército. Foto: Divulgação

No campo da carreira militar, os dados mostraram contradições. Embora 74% dos entrevistados considerem a formação do Exército de excelência, 55,6% não demonstram interesse em seguir a vida militar. O desafio da força, segundo a própria pesquisa, é conter a evasão e atrair novos soldados, algo prejudicado pela falta de investimentos.

Além disso, 57% acreditam que os militares possuem privilégios. No entanto, quando questionados sobre regras específicas, como a proibição de sindicalização, a ausência de hora extra e adicional noturno e o fim da pensão vitalícia para filhas, entre 67% e 79% admitiram desconhecer essas limitações.

O levantamento também comparou a confiança da sociedade em diferentes instituições. Os bombeiros lideraram com 95,3% de lembrança positiva, seguidos pela Força Aérea (77,9%), Marinha (77,2%), Polícia Federal (72,2%) e Exército (71,9%).

Apesar de não estar no topo, a força terrestre ainda aparece à frente de instituições como a Polícia Militar (57,5%), a Igreja Evangélica (57,3%) e o Supremo Tribunal Federal (44,6%). Em relação ao reconhecimento de suas funções, 88% dos entrevistados afirmaram saber que o Exército atua em situações de calamidade.

Cerca de 60% também identificaram a presença da instituição no apoio a comunidades indígenas, no acolhimento de refugiados venezuelanos e em operações conjuntas com outros países. Esses pontos foram destacados como fatores que ainda sustentam a imagem positiva da força perante parte da sociedade.

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