Semanário britânico aponta que julgamento do ex-presidente é um modelo de recuperação democrática que o Brasil oferece aos EUA e ao mundo
O prestigiado semanário traça um paralelo contundente entre a tentativa de golpe de Bolsonaro e a realidade política dos EUA, descrevendo um cenário onde “um presidente polarizador perdeu a tentativa de reeleição e se recusou a aceitar o resultado”, incitando seus apoiadores a uma insurreição que culminou no ataque a prédios do governo. A descrição, que para muitos poderia ser uma fantasia da esquerda americana, segundo a publicação, é a dura realidade vivenciada no Brasil, onde Jair Bolsonaro, o “Trump dos trópicos”, será julgado por planejar um golpe de Estado. A Economist ressalta que as provas, incluindo a conspiração de um ex-general e planos de assassinato do vencedor legítimo da eleição, revelam uma trama que só falhou por “incompetência, não por falta de intenção”.
A The Economist prevê que Bolsonaro e seus aliados serão “considerados culpados”, posicionando o Brasil como um farol para que nações possam se reerguer de uma “febre populista”. O semanário enxerga uma inversão de papéis: os Estados Unidos, sob a influência de Donald Trump, estariam se tornando “mais corruptos, protecionistas e autoritários”, enquanto o Brasil, apesar da interferência externa, demonstra a determinação em “proteger e fortalecer sua democracia”.
Memórias da ditadura militar
A resiliência brasileira, segundo a análise da revista britânica, tem raízes profundas na memória recente da ditadura militar, que tornou a restauração democrática de 1988 um marco indelével. O Supremo Tribunal Federal, moldado por essa “Constituição cidadã”, assume o papel de baluarte contra o autoritarismo. Além disso, a maioria dos brasileiros, de forma clara, percebeu a gravidade das ações de Bolsonaro, acreditando em sua intenção golpista, lembra a publicação.
A interferência direta de Trump, que acusou o STF de perseguição e impôs tarifas sobre produtos brasileiros, além de sanções contra o Ministro Alexandre de Moraes, é categorizada pela The Economist como uma reminiscência de uma “era sombria em que os EUA desestabilizavam rotineiramente países latino-americanos”. O semanário ainda aponta que essa interferência tende a ser contraproducente. Com uma baixa dependência das exportações para os EUA e alternativas de mercado, os ataques de Trump, ironicamente, têm fortalecido o governo Lula nas pesquisas e oferecido uma blindagem contra possíveis notícias econômicas desfavoráveis.
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