“O maior desafio nesse primeiro ano de gestão é a eleição de 2026, a mais importante das nossas vidas, pela defesa da democracia, da soberania e contra a extrema direita, e para que a gente consiga avançar nas pautas da educação”, afirmou na manhã desta sexta-feira (29) o vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Gutemberg Rodrigues, em entrevista ao programa Café PT da TvPT.
Ele foi eleito em julho no Congresso Nacional da UNE, que reuniu oito mil estudantes, pela chapa “Unidade, coragem e defesa do Brasil – Estudantes nas ruas para derrotar a extrema direita – Taxar o super ricos e investir na educação”. “O congresso aconteceu com a presença do presidente Lula, nos dias em que Trump intensificou os ataques (à soberania). Tudo isso norteou esse sentimento de unidade que essa chapa carrega”, enfatizou.
Gutemberg reafirmou a necessidade da luta pela por melhorias nas universidades e também a urgência de trabalhar corações e mentes nas ruas e redes sociais para votar no 13 do presidente Lula.
Juventude unida para defender Lula e a soberania
Com dois anos de gestão pela frente, Gutemberg disse que a UNE busca impulsionar e ajudar o governo a avançar em pautas que de fato mudam a realidade da sociedade. “Saímos do congresso com o sentimento de unidade muito mais fortalecida com um alinhamento e que o nosso principal desafio agora é a defesa da nossa soberania. O governo retomou o orçamento para as universidades, travou uma batalha dentro do Congresso para mais orçamento”, reconheceu.
A realização do congresso paralelamente à eleição interna do partido foi algo desafiador, que resultou no sentimento de defesa do partido e de união diante de questões mais delicados. “É a juventude do PT que vai estar lá unida para defender o nosso presidente o presidente Lula e nosso projeto de governo. Esse congresso foi um marco. Pela primeira vez conseguimos ter todas as forças que estavam construindo o congresso da UNE e a juventude do PT numa mesma chapa”, comemorou.
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Diálogo nas universidades
Ciente da importância da atuação organizada dos estudantes na defesa de políticas públicas que impactam não somente a vida dos jovens, Gutemberg destaca que a volta de Lula à presidência teve muita atuação das forças que compõem a UNE em intensos processos de diálogo dentro das universidades públicas, privadas e à distância.
Em 2023, o garoto que queria ser jogador de futebol mas a mãe nunca deixou que ele se afastasse da escola, entrou para a UNE atuando na área de políticas públicas para a juventude.
“Tivermos avanços como o Plano Nacional de Assistência Estudantil que se torna lei no governo Lula. Junto com a lei que destina orçamento dos royalties do petróleo e do fundo social para assistência estudantil, vamos conseguir regulamentar nas universidades uma política de permanência dos nossos estudantes cotistas e daqueles em situação de vulnerabilidade social”, assinalou.
Os governos petistas colocaram as filhas e filhos da classe trabalhadora nas universidades por meio das políticas que tornaram possível esse acesso. “São programas do nosso governo”, sublinhou
Royalties para a educação
Gutemberg ressaltou a importância da lei sancionada por Lula que garante a destinação dos royalties do petróleo para a assistência estudantil. “Isso é extremamente importante para os estudantes cotistas que estão na universidade”, disse ele ao destacar a renovação da política de cotas, essencial para a permanência dos estudantes com o auxílio-transporte, auxílio-alimentação, bandejão etc, todos muito ameaçados nos dois governos anteriores.
“Sabemos que o governo não consegue avançar em tudo o que a gente sonha. Temos um Congresso de extrema direita o tempo todo chantageando”, disse ele ao lembrar dos parlamentares que recentemente impediram o debate da taxação de grandes fortunas e o fim da escala 6×1 que, junto com a isenção para quem ganha até R$ 5 mil, são pautas que beneficiam muito os estudantes e suas famílias.
Nesses 88 anos de história da entidade, Gutemberg lembrou da intensificação da luta em defesa da educação durante o desgoverno Bolsonaro e, nos anos 1940, também contra o nazifascismo e na luta “o petróleo é nosso”. “Foi a UNE que esteve nas ruas lutando com os demais movimentos pela volta da nossa democracia na ditadura, vários estudantes inclusive o presidente e outros membros foram cassados ou até mesmo mortos durante esse período”, sublinhou.
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Conexão com movimentos
Gutemberg reforça a importância da entidade atuar em consonância com os demais movimentos e estar conectada com a sociedade para enfrentar a extrema direita, que não tem um consenso sobre a disputa presidencial e está em dúvida se será um nome mais bolsonarista ou mais moderado.
“Mas todos carregam os mesmos dilemas que o Bolsonaro. A diferença é que Bolsonaro é boçal e os outros são de forma mais moderada”, sintetizou, ao ver que eles querem ocupar o Congresso para dificultar o próximo governo. Sobre isso, ele lembrou da tarefa que o presidente Lula colocou no encontro do PT que oficializou Edinho Silva como presidente.
“O desafio é que nós consigamos ter muita maturidade política para entender quais são os quadros que têm viabilidade eleitoral para eleger as bancadas. Vai ser muito desafiador”, atentou.
Orgulho de produzir ciência e defender a soberania
Gutemberg aponta que a atuação da UNE precisa encantar a juventude para que ela faça a diferença no país. “É preciso projetos de pesquisa, para que os estudantes tenham orgulho de produzir ciência, sabendo que estamos produzindo elementos para a defesa da nossa soberania. É preciso ter mais políticas de estágio nas universidades e ocupar os espaços”, disse ele se referindo ao crescimento da juventude evangélica.
“Vamos construir um caminho para que a gente consiga dialogar com essa juventude e eles entenderem que é este projeto aqui que vai mudar a vida dessas pessoas”, salientou, ao reforçar a necessidade de ocupar as redes sociais sem perder de vista o trabalho de base, de onde surgiu o PT.
“A gente vive uma guerra nas redes sociais que não são controladas por nós mas por big techs, pelo imperialismo estadunidense”, assinalou o estudante da UERJ, que constantemente é atacada com projetos de fechamento para virar estacionamento ou shopping. Ao final, Gutemberg reforçou a importância dos estudantes se organizarem nos centros acadêmicos, nas atléticas, nos DCEs, e que acessem as redes sociais da UNE e da juventude do PT
Da Redação