Um novo relatório da ONU, divulgado nesta terça (26), revela um dado alarmante: mais de 2 bilhões de pessoas no mundo continuam sem acesso à água potável, o que corresponde a 25% da população global. Além disso, mais de 100 milhões ainda dependem de água superficial – retirada de rios, lagoas e canais – sem qualquer garantia de qualidade.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Unicef alertam que o atraso no avanço do programa de Água, Saneamento e Higiene (WASH, na sigla em inglês) expõe bilhões de pessoas ao risco de doenças.

“Garantir acesso à água potável, significa garantir saúde. Quando isso e negado à população o futuro é colocado em risco”, destaca a direção do Sintaema.

Brasil: retrocesso e ameaça às Terras Indígenas

Enquanto o mundo ainda luta para garantir o direito humano à água, no Brasil o Senado aprovou dois Projetos de Lei que ameaçam devastar Terras Indígenas, liberando atividades econômicas como mineração, garimpo, exploração de petróleo e gás, geração de energia, agricultura comercial e turismo.

A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) denuncia que essas medidas representam uma violação direta da Constituição e dos tratados internacionais assinados pelo país, além de aprofundar uma crise sanitária. Entre os impactos já visíveis:

  • 90% dos Yanomami de nove aldeias contaminados por mercúrio do garimpo;
  • Povo Pataxó, no sul da Bahia, denuncia destruição de nascentes e cursos d’água por mineração de terras raras;
  • Comunidades Munduruku, no Pará, enfrentam violência armada, facções criminosas e desestruturação cultural associada à invasão garimpeira.

Ao legalizar práticas que já devastam ecossistemas e comunidades, os PLs podem ampliar violações sociais, ambientais e de saúde pública.

Água não é mercadoria

O Sintaema reafirma: a água é um direito, não um negócio. Num cenário em que bilhões de pessoas ainda vivem sem acesso à água potável, e em que comunidades indígenas sofrem diretamente os efeitos da exploração predatória, o Brasil precisa escolher entre a defesa da vida ou a submissão à lógica privatista e destrutiva.

Defender a água, o saneamento e os direitos dos povos é defender o futuro.

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Last Update: 29/08/2025