Agentes da Polícia federal, em conjunto com as receitas federal e estadual fizeram buscas e apreensões em endereços na Faria Lima, em São Paulo. Foto: Werther Santana/Estadão

Uma frase registrada em uma escuta da Operação Carbono Oculto revela como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) tratavam fraudes no setor de combustíveis. A investigação expõe um esquema que movimentava desde importações irregulares até a adulteração de gasolina em postos de grandes redes. Com informações da Folha de S.Paulo.

Em um dos diálogos, dois investigados discutem a ideia de introduzir combustível sintético em São Paulo. Sem se preocupar com detalhes técnicos, um deles resumiu a prioridade do grupo: “Precisa ver como sonegar isso”.

Para o procurador do Gaeco, João Paulo Gabriel, o caso mostra que o PCC já não se limita a postos de bandeira branca. “Tem [fraude] em postos de grandes redes. Isso [da bandeira branca] é passado. O negócio deles é fraudar, não importa como”, disse.

Deflagrada na última quinta-feira (28), a operação cumpriu mais de 350 mandados em oito estados contra pessoas e empresas ligadas ao esquema.

Segundo a Receita Federal, o metanol entrava no Brasil pelo porto de Paranaguá (PR) com destino declarado a empresas químicas, mas era desviado para adulterar combustíveis. Em alguns casos, o nível da substância chegava a 50%, quando o limite permitido pela ANP é de 0,5%.

O Ministério Público afirma que até as máquinas de pagamento das lojas de conveniência de postos controlados pelo grupo transferiam recursos à facção. Estima-se que metade dos 44 mil postos no Brasil atuem sem bandeira, o que facilita a fraude.

O Sindicom, sindicato das distribuidoras, comemorou a ação e afirmou: “O combate às práticas ilícitas é fundamental para proteger consumidores, garantir a arrecadação de tributos, fortalecer a confiança dos investidores e assegurar um ambiente de negócios transparente”.

Polícia civil, Federal e Receita Federal se concentram para saída de megaoperação Carbono Oculto, com participação da Receita Federal. Foto: reprodução

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Last Update: 29/08/2025